Bekos

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Esse “já ganhou” dos bolsominions e dos lulominions me faz lembrar a eleição para o governo da Bahia em 2006, quando Jaques Wagner derrotou o favorito Paulo Souto logo no primeiro turno.

Esse “já ganhou” tem pela frente Ciro Gomes, presidenciável do PDT, que é a opção mais viável da chamada terceira via, da parcela do eleitorado, hoje em torno de 60%, que não quer Bolsonaro e Lula. Nem a volta do passado marcado por escândalos de corrupção e, muito menos, a continuação de um governo que desdenha da vida das pessoas com um estúpido e irresponsável negacionismo.

Ciro, diante desse cenário, está vivo. Digo até vivíssimo. Pela recente pesquisa do PoderData tem a soma dos votos dos pré-candidatos que estão atrás dele: o ex-ministro Mandetta (DEM), o apresentador Luciano Huck (sem partido), o governador de São Paulo João Doria (PSDB), o empresário João Amoêdo (Novo) e o ex-juiz Sérgio Moro, também sem abrigo partidário.

Dos cinco, acredito que somente dois continuarão como postulantes ao cargo máximo do Poder Executivo. Os outros tendem a desistir. Amoêdo já o fez em nota pública. Uma significativa parcela dos eleitores de Huck e Moro é simpática ao movimento “Nem Lula, Nem Bolsonaro”, que cresce dia a dia.

O importante agora para Ciro, que foi o presidenciável com maior crescimento na última consulta do DataPoder, saindo de 6% para quase 11%, é se consolidar como o nome da terceira via que pode quebrar essa polarização Lula versus Bolsonaro, com um alimentando o outro, uma espécie de, digamos, mutualismo político. A sobrevivência política de Lula depende de Bolsonaro e vice-versa.

O antipetismo e o antibolsonarismo, que hoje são gigantescos, podem levar o candidato com mais chances de derrotar Lula (ou Bolsonaro) para um segundo round eleitoral. E Ciro é quem mais preocupa petistas e bolsonaristas.

Outro lembrete é que quem está na frente da campanha de Ciro é o baiano João Santana, considerado o “mago” do marketing político. Os resultados do seu trabalho já são visivelmente percebidos.

Esse “já ganhou”, muitas vezes de maneira debochada, é desaconselhável. A sabedoria popular costuma dizer que “o apressado come cru”.

O engraçado é que ainda estamos em 2021. Para os bolsominions e os lulominions não tem mais água para passar por debaixo da ponte da sucessão do cobiçado Palácio do Planalto. A ida do “mito” da esquerda e do “mito” da direita para o segundo turno é dada como favas contadas.

Concluo dizendo que vem aí um chega pra lá em Lula e Bolsonaro. O eleitorado vai perceber que essa polarização é ruim, que o melhor candidato é Ciro Gomes, o único presidenciável que tem um projeto nacional de desenvolvimento, que diz como vai fazer para resolver os graves problemas do país.

O forte e encrustado antipetismo e antibolsonarismo vão oxigenar a terceira via, levando seu representante para a segunda etapa eleitoral.


Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

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O ex-presidente Lula, para criar simpatia com a militância do PDT, fica elogiando o saudoso Leonel Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista, nos seus encontros com lideranças políticas de esquerda.

O petista-mor quer passar a ideia de que Brizola, se vivo fosse, não estaria concordando com as críticas de Ciro Gomes ao lulopetismo. Todas elas com muita razão e assentadas em inquestionáveis e sólidos argumentos.

Querem o que, que Ciro esqueça a sujeira de Lula com sua candidatura na eleição de 2018? De dentro da cadeia, onde passou 580 dias vendo o sol quadrado, o “sapo barbudo” só pensava em enfraquecer Ciro. Se fazia o que fez preso, imagine agora solto.

Ora, no mínimo um gigantesco e inominável cinismo ficar insinuando que Brizola o admirava, quando na verdade o achava extremamente ambicioso, adepto fervoroso do vale tudo para conquistar o poder.

Já em 1989, Brizola dizia: “Desconfio muito desse candidato. Dele e do PT”. Conta até uma história interessante : “Quando cheguei do exílio fui visitar o Lula, que me recebeu como se fosse um imperador. Existe uma incompatibilidade entre nós, ali vi que Lula é um homem do sistema”.

Não deu outra. A profecia do único político brasileiro a governar dois Estados, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, marcando suas gestões pela obsessão que tinha pela educação, se confirmou. Lula se juntou com Paulo Maluf, Michel Temer, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e companhia Ltda.

“O discurso ético caiu como castelo de areia. Em vários aspectos demonstrou o PT ser mais do mesmo. O PT é que nem galinha: cacareja na esquerda, mas bota ovo na direita”, dizia o bom e inesquecível gaúcho.

E mais (1) : “Denunciam o golpe publicamente, mas no privado fazem acordo com seus algozes”. E perguntava: “Qual o PT é o verdadeiro, o público ou o privado? Cadê a coerência? Cadê a hombridade? Cadê o discurso? Cadê a dignidade de uma corrente política?”.

E mais (2) : “Esta obsessão por boquinhas, por cargos, por poder sem lastro, talvez seja uma das principais patologias que o PT deva enfrentar. Não é no mínimo ético para os brasileiros que sofrem com o golpe verem o PT se aliar aos golpistas, afinal a democracia está sendo atacada, e direitos suprimidos”.

Pois é. O filme se repete. A cúpula do lulopetismo, para eleger Lula para o terceiro mandato presidencial, anda paparicando e mandando recadinhos para os protagonistas do impeachment da coitada da Dilma Rousseff. O senador Renan Calheiros, por exemplo, atolado até o pescoço com a Justiça, é um dos coordenadores da campanha de Lula no Nordeste.

Fico a imaginar o que diria Brizola sobre os escândalos de corrupção nos governos de Lula e Dilma, com destaques para o mensalão e o petrolão.

Portanto, concluo dizendo a Lula que esqueça Brizola, que morreu levando consigo a decepção com o petismo, o PT e o próprio “sapo barbudo”.

Leonel de Moura Brizola, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, se encontra na eternidade, em um lugar reservado para os grandes homens públicos. Deixe ele em paz. 


Marco Wense é Analista Político

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João Leão, vice-governador da Bahia, continua sendo a grande preocupação do PT. Nos bastidores do lulopetismo, quando o assunto é a sucessão do Palácio de Ondina, só se fala no presidente estadual do PP.

Volta e meia, não passando de um intervalo de 10 dias ou menos, o vice declara seu incontido desejo de disputar a sucessão do governador Rui Costa. Externa sua vontade de público, sem fazer arrodeios.

O receio do lulopetismo é que a rebeldia do vice-governador seja duradoura e incontrolável. A agonia do dia a dia é com Leão se transformando em um “leão” com unhas e dentes cada vez mais afiados, juba vistosa e um rugido mais forte.

Como o senador Otto Alencar, dirigente-mor do PSD, já disse várias vezes que só vai falar de sua posição em 2022, as atenções se voltam para o vice-governador.

João Leão, que integra a cúpula nacional do PP, com o cargo de vice-presidente, tem todo o direito de sonhar, mesmo que seu sonho seja um inominável pesadelo. Leão quer ser o candidato da base aliada com o apoio do ex-presidente Lula. Ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que a candidatura de Jaques Wagner é favas contadas.

E o que estaria alimentando a esperança de Leão em ser o candidato do lulopetismo na sucessão de 2022? É aí que entra o chamado Centrão e o pragmatismo avermelhado do petismo assentado no vale tudo para conquistar o poder. O maquiavelismo do PT é o mais acentuado e escancarado da República.

Essa obsessão em chegar ao poder, passando por cima de tudo e de todos, sem se importar com os meios, se lixando para a militância, é também responsável pela queda de Lula nas pesquisas de intenções de voto.

Essa reaproximação do lulopetismo com o Centrão, caso se consolide e Lula saia vitorioso na sucessão de Bolsonaro, nos leva a dizer que o mensalão, sem dúvida um dos maiores escândalos da era petista no comando do país, pode ter sua versão 2.

Segundo o site soteropolitano Política Livre, o ex-presidente Lula vem conversando com o senador Ciro Nogueira, que é presidente nacional do PP, a sigla mais importante da base de sustentação política do governo Bolsonaro. Diria até que é a legenda que segura um eventual pedido de impeachment do chefe do Palácio do Planalto. O bolsonarismo é refém do toma lá, dá cá.

Passa pela cabeça de Leão que Jaques Wagner pode desistir da disputa pelo governo da Bahia em troca de uma aliança nacional do PP com o PT. Rui Costa cumpriria seu mandato até o último dia. A composição da chapa ficaria com Leão encabeçando a majoritária, Otto Alencar buscando à reeleição para o Senado e a outra vaga, a de vice-governador, com indicação do PT.

João Leão tem todo o direito de sonhar, mesmo que o sonho seja um grande pesadelo. 


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Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga

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“O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) afirmou à CPI da Covid nesta 3ª feira (8.junho) que remédios como hidroxicloroquina e ivermectina “não têm eficácia comprovada” no tratamento da Covid-19″. (UOL Notícias, terça, 8 de junho de 2021, 12:03 hs).

Os ex-ministros da Saúde, Mandetta e Tech, foram taxados de “comunistas” por serem contra aos medicamentos sem comprovação científica no combate a Covid-19.

O único que se livrou de ser acusado de “comedor de criancinhas” pela ala mais ideológica do bolsonarismo, cujos integrantes são chamados de bolsominions, foi o general Pazuello.

Agora vem o cardiologista Queiroga e diz, corajosamente, que é contra a hidroxicloroquina e ivermectina.

Como irá se comportar o presidente Bolsonaro diante da declaração do seu subordinado na CPI da Covid-19?

E por falar na Comissão Parlamentar de Inquérito, a reunião de hoje chegou a ser suspensa em decorrência do pega-pega entre o ministro e o senador Otto Alencar (PSD). O parlamentar disse que Queiroga não lia a bula das vacinas.

Que coisa, hein!

Otto vem se transformando em uma espécie de “terror do bolsonarismo” na CPI. 


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Que coisa, hein!

O número de óbitos avançando, com a previsão de 600 mil vidas ceifadas pela Covid-19 até o fim do mês de agosto, e fica esse pessoal batendo boca pelas redes sociais.

Esse “pessoal” é nada mais e nada menos que Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, e João Doria, governador de São Paulo. Tenha santa paciência!

Precisamos de diálogo, harmonia e responsabilidade, que os senhores homens públicos tenham juízo.

Esse pega-pega entre Doria e Queiroga, em plena pandemia, com o ritmo de vacinação lento, é lamentável. 


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Os senadores: Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD)

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Dos três senadores que representam a Bahia no Congresso Nacional, só Otto Alencar não deixou nenhuma dúvida sobre sua posição em relação à CPI da Covid-19. O presidente estadual do PSD vem tendo uma atuação combativa na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Os outros dois senadores, Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD), caminham em direção oposta a de Otto, deixando o eleitor na incerteza sobre o posicionamento de ambos em relação à CPI, que tem como precípua função apurar as responsabilidades das autoridades diante da terrível crise sanitária e humana.

O ex-governador Jaques Wagner, pré-candidato a um terceiro mandato como chefe do Palácio de Ondina no pleito de 2022, foi contra a instalação da CPI. O detalhe que chama mais atenção é que Wagner ainda não deu uma explicação pública sobre sua decisão, fugindo do assunto como o diabo da cruz.

É evidente que Wagner vai ser questionado durante a campanha eleitoral. Seus adversários na disputa pelo comando do governo do Estado vão querer saber por que o petista ficou contra a CPI, recusou a ser signatário da petição para sua instalação no Senado da República.

Obviamente que Wagner, com toda sua experiência, tido como um articulador político ágil e perspicaz, não iria tomar uma decisão dessa envergadura sem primeiro conversar com o ex-presidente Lula, que até as freiras do convento das Carmelitas sabem que trabalha nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, contra o impeachment de Bolsonaro.

Ora, não é interessante para o lulopetismo ter outro adversário no segundo turno que não seja Bolsonaro. O raciocínio é o mesmo pelo outro lado. Ou seja, o bolsonarismo quer também Lula no segundo round eleitoral. Tanto Lula como Bolsonaro perdem para Ciro Gomes, presidenciável do PDT, que é o nome mais viável da terceira via, do movimento “Nem Lula, Nem Bolsonaro”, que já corresponde a 60% do eleitorado que não querem os extremos, nem o “mito” da esquerda e, muito menos, o “mito” da direita, nem a volta de um passado marcado por escândalos de corrupção e nem um governo que despreza, desdenha o mundo da ciência, muitas vezes debochadamente.

O senador Angelo Coronel não assinou a nota da CPI da Covid-19 sobre o pronunciamento de ontem, quarta-feira, 2, em cadeia de rádio e TV, do presidente Jair Messias Bolsonaro, que o fez em decorrência não só do bom trabalho da CPI, que vai de vento em popa, com depoimentos firmes e explosivos, como dos protestos nas ruas contra o negacionismo, que é o maior parceiro da pandemia.

Não tem como fugir das obviedades e dos inquestionáveis argumentos da nota da CPI sobre a “inflexão” de Bolsonaro. “Veio com um atraso de 432 dias, desde 24 de março do ano passado, quando o presidente classificou a Covid como uma “gripezinha”, também em um pronunciamento em rede nacional de TV”, diz um trecho da nota.

Para os parlamentares que assinaram o documento, o atraso de 432 dias é “desumano” e “indefensável”. A nota lembra que “o governo não se empenhou na compra de 130 milhões de doses da CoronaVac e da Pfizer, o que seria suficiente para imunizar cerca de metade da população vacinável do Brasil”. O governo deixou de comprar as vacinas em 2020. A coronaVac por birra política com o governador de São Paulo João Doria (PSDB) e ideológica com a China.

Os senhores senadores signatários da nota são da opinião de que “embora o pronunciamento do presidente sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais”. Lamenta a perda de tantas vidas e dores que “poderiam ter sido evitadas”.

Além de Jaques Wagner, tem agora Angelo Coronel precisando tornar público os motivos que fizeram com que não assinasse a nota da CPI da Covid-19.

Vale lembrar que a pandemia do cruel, devastador e impiedoso novo coronavírus, reforçado na sua crueldade pelas novas variantes, caminha a passos largos para triste marca de 600 mil óbitos, vidas humanas sendo ceifadas pela terrível covid-19, que tem como maior aliado o negacionismo, o desdém com o mundo científico. 


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O PDT, que tem o deputado federal Félix Mendonça Júnior no comando estadual da legenda, só tem dois caminhos na sucessão do governador Rui Costa (PT) : apoiar ACM Neto ou lançar candidatura própria.

Salvo engano, já é a terceira vez que comento essa situação do pedetismo baiano. Volto ao assunto em decorrência de Roberto Carlos, o deputado estadual mais petista da sigla, que não consegue esconder sua aderência ao lulopetismo e, muito menos, seu desejo de apoiar Jaques Wagner no pleito de 2022, quando o senador vai tentar conquistar o terceiro mandato como chefe do Palácio de Ondina.

Longe de mim querer dar conselhos ao experiente parlamentar e filiado histórico do PDT. Mas não posso ficar indiferente diante da incontida vontade de RC de se juntar a Wagner na sucessão estadual.

Questionado sobre seu apoio ao projeto do PT de continuar por mais quatro anos na frente do governo do Estado, o deputado deixou bem claro, sem precisar das entrelinhas, que deixará o PDT “se a sigla desviar-se do caminho que trilha há décadas”, já que “historicamente os pedetistas marcharam ao lado dos partidos de esquerda como o PT”.

Roberto Carlos, que tem sua principal base eleitoral em Juazeiro, cita até a eleição de 2006 para ornamentar seu discurso, quando João Durval (PDT) foi candidato a senador na chapa encabeçada por Wagner.

Obviamente que RC fala de um eventual apoio do PDT à pré-candidatura de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do Partido do Democratas (DEM). Na sua opinião, a contrapartida de apoiar Ciro Gomes dificilmente será viabilizada, insinuando que o PDT pode ficar a ver navios.

Salta aos olhos que o deputado quer continuar na base aliada do governador Rui Costa porque não quer colocar em risco os espaços que tem na máquina administrativa, o que vai ajudar na sua re-reeleição para a Assembleia Legislativa (ALBA). Outro ponto é que o deputado deve ter informações de que a maioria do seu eleitorado prefere apoiar Wagner do que ACM Neto.

E aí, nesse emaranhado jogo político, cabe a pertinente e oportuna pergunta ao deputado Roberto Carlos: Como fica o presidenciável do PDT diante desse seu incontido desejo de se juntar ao lulopetismo para eleger Jaques Wagner?

Ora, ora, não tem cabimento apoiar um candidato ao governo da Bahia já em plena campanha para outro postulante à presidência da República. É inaceitável colocar os interesses e as conveniências políticas em detrimento da candidatura de Ciro.

Confesso que não sei o que vai acontecer com o PDT nessas eleições de 2022. A única certeza que tenho é que o partido, assim que passar o processo eleitoral, vai precisar de uma profunda reflexão, de uma arrumação, sob pena de ser mais uma sigla no meio de muitas outras. 


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O título acima diz respeito aos Palácios do Planalto e Ondina, obviamente se referindo ao processo sucessório do presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido) e do governador Rui Costa (PT).

No retrato do momento, ambas sucessões estão polarizadas. Todas as pesquisas de intenções de voto apontam Lula e Bolsonaro, ACM Neto e Jaques Wagner, com o ex-presidente e o ex-alcaide soteropolitano na frente.

No tocante a chamada “terceira via”, a sucessão estadual é bem diferente da nacional. Na Boa Terra, ou ganha o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), ou o petista Jaques Wagner, senador e ex-governador do Estado. A possibilidade do próximo mandatário-mor da Bahia ser outro é remotíssima. É mais fácil achar uma pequena agulha em um grande palheiro.

Em relação a disputa pela presidência da República, o “já ganhou”, tanto do lulopetismo como do bolsonarismo, pode ter uma surpresa. Ainda é cedo para dizer que o segundo turno entre Lula e Bolsonaro é favas contadas.

Vale lembrar que mais de 55% do eleitorado, com tendência a chegar a 60%, não estão dispostos a votar nem no “mito” da direita e, muito menos, no “mito” da esquerda. Não querem os extremos, o radicalismo, cuja consequência é um Brasil cada vez mais enterrado.

A consolidação de uma alternativa eleitoralmente viável, que possa oxigenar o movimento “Nem Lula, Nem Bolsonaro”, enfrenta obstáculos. Essa dificuldade termina fortalecendo a polarização, com o processo sucessório caminhando para uma disputa carregada de ódio, quando o país precisa de paz, entendimento e harmonia entre os Poderes da República.

Um dos problemas da terceira via, talvez o mais preocupante, o que pode causar maior estrago político e um inevitável constrangimento, são determinadas “lideranças” políticas que querem integrar o movimento. O ex-presidente Michel Temer andou insinuando que toparia ser uma espécie de orientador, de timoneiro. A presença de Temer seria um desastre, o enterro definitivo da terceira via sem direito a velório e missa de sétimo dia. Pelo andar da carruagem, teremos outras “terceiras vias”, versões 2 e 3, o que significa a certeza de uma disputa de segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

Já disse aqui que a maioria esmagadora do eleitorado de Lula não liga para os conchavos e o pragmatismo avermelhado do lulopetismo. São eleitores beneficiários dos programas sociais dos governos do PT. A parcela dos intelectuais que forma a ala ideológica da sigla, deixando de fora as honrosas exceções, só critica as conversas e os acordos dos adversários. Adora ficar de olho no quintal dos outros e, sorrateiramente, na calada da noite, jogar entulho nele.

E aqui cito o exemplo da Bahia, sem dúvida o mais simbólico e didático quando o assunto é a soberba, o cinismo e a esperteza do lulopetismo. Bastou Ciro Gomes, presidenciável do PDT, ter uma conversa com ACM Neto para ser taxado de “direita”. Enquanto isso, o senador Renan Calheiros, respondendo a vários processos envolvendo o dinheiro público, é convidado a ser um dos coordenadores da campanha de Lula no nordeste.

E mais (1): o candidato do lulopetismo no Ceará é Eunício Oliveira.
E mais (2): qualquer reaproximação é bem vinda, de Eduardo Cunha a Sérgio Cabral.
E mais (3): se o “companheiro” Palocci quiser integrar o projeto do terceiro mandato, as portas do diálogo estarão abertas.
E mais (4): já há um segmento na legenda defendendo a participação mais intensa de José Dirceu na campanha.

Vale lembrar que Cunha, Oliveira e Calheiros foram os principais protagonistas do impeachment da então presidente Dilma Vana Rousseff.

Abrindo um parêntese para Dilma, que foi apulhalada pelas costas pelo então vice-presidente Michel Temer, é lamentável seu silêncio diante do chamego do ex-presidente Lula com seus algozes. É como estivesse aceitando que merecia mesmo o impeachment, uma punição pelo seu desastroso segundo mandato.

A viabilização da terceira via na sucessão do Palácio do Planalto é um desafio gigantesco. Se acontecer, Bolsonaro é quem fica fora do segundo round eleitoral, para o desespero do lulopetismo, que pretende ter o antibolsonarismo como seu principal “cabo eleitoral”. O mesmo raciocínio vale para o bolsonarismo, que quer o antipetismo como maior parceiro. Tanto Lula como Bolsonaro têm pesadelo com a hipótese de enfrentar Ciro no final do pleito.

Outro ponto interessante, que chama atenção, que parece combinado, são as rotulações de “direitona” e “comunista”, respectivamente para quem critica o lulopetismo e o bolsonarismo. O ex-juiz Sérgio Moro, ex-todo poderoso comandante da Lava Jato, operação que acabou sendo desmoralizada pela atuação parcial e com viés político do então magistrado, é hoje um “comunista”, e daqueles que comem criancinhas, como pregavam os defensores do golpe de 64.

A terceira via quer o antipetismo e o antibolsonarismo como indispensáveis alavancas para colocar seu representante na segunda etapa eleitoral.

Concluo reafirmando que o “já ganhou” que toma conta dos bolsominions e dos lulominions, além de ser prematuro, é desaconselhável. 


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João Leão, vice-governador da Bahia

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Entrevistado hoje, 5ª quinta (27.maio), pelo programa “Oito em Ponto” do Ipolítica, o vice-governador da Bahia João Leão, presidente estadual do PP, disse que ele e os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) vão se entender em relação à sucessão do cobiçado Palácio de Ondina no pleito de 2022.

“Todos querem governar a Bahia, eu quero, Otto quer, Wagner quer e se pudesse Rui também queria ir para o terceiro mandato”, declarou o dirigente-mor do Progressistas. O problema é que a chapa só tem 3 vagas e uma já tem dono: Wagner não abre mão de encabeçar a majoritária, obviamente como candidato ao governo da Boa Terra.

A cúpula nacional do lulopetismo quer que Rui Costa fique no governo até o último dia. Otto buscaria à reeleição para o Senado da República e Leão indicaria o vice de Wagner. Essa composição é tida como a do sonho do ex-presidente Lula.

No mais, esperar 2022 para uma análise mais consistente. O vice-governador, chamado carinhosamente de “bonitão”, passa a impressão de ser um leão manso. Ledo engano.

O lulopetismo vai quebrar a cara se tentar ser esperto com o substituto imediato de Rui Costa. 


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Um verdadeiro festival de mentiras. É o que vem acontecendo na CPI da Covid-19. Até parece que os mentirosos desconhecem a sabedoria popular que diz que “mentira tem perna curta”. Mais cedo ou mais tarde a verdade vem à tona.

Da avalanche de inverdades, a que me chamou mais atenção foi a da médica pediatra Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde. O depoimento da doutora aconteceu ontem, 25, na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado da República.

Antes de comentar a falta da verdade da “Capitã Cloroquina”, como é apelidada devido a sua intensa defesa em favor do uso do tratamento precoce no combate à Covid-19, vale lembrar, obviamente para os desinformados, que já ultrapassamos a triste marca de mais de 450 mil óbitos. E o pior é que a terceira onda da pandemia, agora mais cruel e devastadora, é fato. No interior de São Paulo, até as farmácias estão sendo fechadas com a decretação do lockdown. Enquanto isso, o presidente Bolsonaro continua não usando máscara e causando aglomerações.

Voltando ao caso Mayra, ao ser questionada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão, se já tinha sido imunizada, a secretária disse que estava esperando passar os 30 dias para vacinar, já que teria sido contaminada pelo novo coronavírus.

“Ainda não. No dia em que minha vacina estava agendada, eu adquiri covid-19”, respondeu a secretária na maior tranquilidade do mundo, sem nenhum constrangimento, sequer ficou com o rosto avermelhado, dando pista de que estava mentindo.

Que coisa, hein! A doutora omitiu que contraiu a doença antes do dia 21 de março, portanto há mais de 60 dias. E aí cabe uma pertinente e oportuna pergunta: Por que a doutora-secretária não que tomar a vacina? Na sequência, uma outra indagação: A doutora quer seguir o presidente, que também não tomou a vacina, já não basta para agradar o chefe a defesa da cloroquina?

Que situação vive o nosso Brasil. Como não bastasse os Poderes da República literalmente em chamas, com uma guerra entre eles, jogando o preceito constitucional da harmonia e independência na lata do lixo, temos um chefe da Nação que teima na irresponsabilidade de continuar dando um chega pra lá no uso da máscara e causando aglomerações, e uma médica que exerce uma importante função na pasta da Saúde passando a impressão que desdenha da vacina.

E assim caminha a humanidade. Ou melhor, o mundo da política. Deixando de fora as honrosas exceções, os senhores governantes parecem mais preocupados com sua sobrevivência política. Lamentável. Triste. Muito triste.

PS – A Organização Mundial da Saúde (ONU) acaba de informar a boa notícia de que a pandemia por Covid-19 sofreu uma retração global de 14%. A maior taxa de redução acontece na Europa. A triste notícia, para nós brasileiros, é que caminhamos em sentido contrário em relação a média mundial. Só Deus na causa, costumam dizer os mais religiosos. 


Marco Wense é Analista Político

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