//

Leia em: 2 minutos

Dos três Poderes da República, ainda há uma certa compreensão na politização, no sentido partidário, do Executivo e Legislativo. O Judiciário deve ficar fora desse emaranhado jogo político, assentado quase sempre no maquiavelismo de que os meios justificam a tomada do poder.

Infelizmente, o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Judiciário, vem mostrando que o viés político partidário é cada vez mais fácil de ser identificado. Se não mudar o critério da nomeação dos ministros, tudo vai ficar no mesmo : o nomeado devendo favor ao presidente da República que o indicou.

Instituições como as Forças Armadas não podem enveredar para a política. A missão e o caminho que devem seguir são apontados na Constituição, que é nossa Lei Maior.

O papel dessa imprescindível e honrosa instituição, principalmente no Estado democrático de direito, é a defesa da Pátria e dos poderes constituídos, bem como o de garantir a lei e a ordem. É não medir esforços para termos uma democracia de verdade, sem rompantes e atitudes autoritárias.

Ainda bem que temos generais como Fernando Azevedo, que não aceita que as Forças Armadas fiquem atreladas aos interesses políticos do presidente da República de plantão, seja ele quem for, independente de partido político e posições ideológicas.

Na sua carta de demissão do Ministério da Defesa, Azevedo deixou bem claro que às Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – têm que ficar distante da politicagem dos Poderes da República. O recado ficou bem claro quando disse que preservou as Forças Armadas “como instituições de Estado”.

Outro problema que vem causando irritação nas Forças Armadas é o envolvimento do chamado Centrão nessas mudanças. Um general sendo substituído por causa da ameaça de um eventual pedido de impeachment, por pressão do toma-lá-dá-cá por mais e mais cargos.

Além do comando das Comunicações e a titularidade do ministério da Cidadania, o Centrão acaba de ser contemplado com a Secretaria de Governo, cuja precípua função é a articulação política palaciana. O presidente Jair Messias Bolsonaro, eleito com o discurso do “Centrão Nunca Mais”, cada vez mais refém do movimento e das suas lideranças.

Vale lembrar que Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, já cobrou do chefe do Palácio do Planalto mais agilidade no combate à pandemia do novo coronavírus, inclusive falando em “remédios amargos e fatais”, que até as freiras do convento das Carmelitas sabem quais são. Fernando Collor, Dilma Rousseff e Michel Temer também.

Concluo dizendo que nossas instituições, mais especificamente as Forças Armadas, não podem ficar subordinadas aos caprichos dos governantes. Suas gestões passam, as instituições ficam. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: 2 minutos

Otto Alencar, presidente estadual do PSD, foi eleito senador da República no pleito de 2014, derrotando Geddel Vieira Lima, seu principal adversário, com 3,3 milhões de votos. O peemedebista obteve 2 milhões.

Como são oito anos de mandato, o exercício parlamentar de Otto encerra em 2022. O caminho natural, o mais aconselhável, é buscar sua reeleição. Quem tem que ceder aos desejos do PT é o governador Rui Costa, que parece já decidido a permanecer no Palácio de Ondina até o último dia de governo.

Otto não vai ser uma Lídice da Mata, dirigente-mor do PSB da Boa Terra. A socialista é sempre preterida, colocada à margem das articulações, assumindo o papel de coadjuvante. Vale lembrar que não é hoje senadora em decorrência das manobras do petismo.

O sinal, que antes era verde para Otto e seu PSD, ficou amarelo. O lulopetismo, obviamente sob a batuta do ex-presidente Lula, adorou a sugestão de Zé Cocá, prefeito de Jequié e presidente da UPB (União dos Prefeitos da Bahia), que anda pregando que o melhor lugar para Otto na majoritária é como vice de Jaques Wagner. “A chapa ideal é Jaques Wagner, Otto e Cacá Leão como senador”, diz o alcaide.

Que essa é a melhor composição para evitar um racha na base aliada e, como consequência, uma debandada para o lado de ACM Neto, não se tem a menor dúvida. O vice-governador João Leão (PP) ficaria satisfeito com seu filho como candidato a senador e o PT com Wagner encabeçando a majoritária.

E o PSD, o que acha dessa composição? Otto deixaria uma reeleição dada como certa pelos otistas para se arriscar a ficar sem mandato com uma eventual derrota de Wagner na sucessão de 2022?

Quando questionado sobre a sucessão de Rui Costa, Otto diz que só tomará uma posição em 2022. Nas entrelinhas, o senador manda o recado de que não vai se deixar levar pela sabedoria do PT, que sua aliança com a sigla não é irreversível, o que pressupõe que uma aproximação com ACM Neto, pré-candidato pelo DEM ao governo da Bahia, não está descartada.

É bom ressaltar que a prioridade das legendas, mais especificamente as que têm seus postulantes à presidência da República, é a sucessão de Bolsonaro. As conversas nos Estados podem ser desautorizadas pela cúpula nacional dos partidos.

Concluo dizendo que o experiente senador Otto Alencar, que faz um bom trabalho no Parlamento, vai buscar o que é melhor para sua sobrevivência política, sem dúvida sua reeleição para a Casa Legislativa. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

ACM Neto (DEM) vs Jaques Wagner (PT)

Leia em: 3 minutos

A primeira enquete para governo do Estado, realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, entre os dias 20 e 24 de março, aponta um amplo favoritismo de ACM Neto sobre o senador Jaques Wagner, sem dúvida seu principal adversário.

A pesquisa, feita em parceria com o site Bahia Notícias, coloca o ex-prefeito de Salvador com mais do dobro das intenções de voto do senador petista: 49,3% versus 21,4%. Uma diferença significativa, que deve diminuir com a participação do ex-presidente Lula na campanha de Wagner.

O que chamou atenção na consulta para a disputa do cobiçado comando do Palácio de Ondina foi os 3,9% do também senador Otto Alencar. Esperava-se uma melhor colocação do presidente estadual do PSD. Vale lembrar que Otto tem, salvo engano, mais de 100 prefeituras do seu lado. Outro lembrete é que a doutora Raissa (PSL), defensora ferrenha do tratamento precoce para a Covid-19, pré-candidata pelo bolsonarismo, pontuou igual a Otto, 3,9%.

Se o resultado não foi considerado bom para Otto, imagine para o vice-governador João Leão, que obteve apenas 2,5% quando se esperava três vezes mais. Leão tem o controle do PP e, assim como Otto, sua legenda conseguiu eleger vários gestores municipais. Com efeito, PSD e PP travaram uma acirrada disputa na última sucessão municipal.

O que pensam Wagner e Neto sobre essa pesquisa? Essa é a pergunta que toma conta dos bastidores do demismo e petismo. É evidente que só as pessoas mais próximas do ex-governador e do ex-alcaide soteropolitano vão saber.

Mas trago aqui, nesta modesta coluna, a minha opinião, que é desprovida de qualquer informação e consulta. Apenas assentada na intuição política e também no óbvio ululante.

O otimismo maior de Wagner é que o ex-presidente Lula consiga ser um invejável cabo eleitoral. A influência do governador Rui Costa não é suficiente para alavancar à candidatura de Wagner e colocá-lo em uma situação de empate técnico com ACM Neto.

Quanto ao presidente nacional do DEM, é torcer para que o desejo de mudar continue aceso, que não falte lenha na fogueira do forte sentimento de mudança que toma conta de uma grande parcela do eleitorado, incluindo aí muitos eleitores de Lula. Afinal, com o fim do mandato de Rui Costa, lá se vão 16 anos de poder do PT, do petismo e do lulismo na Bahia.

Outro ponto é que ACM Neto vai, na medida do possível, o que não será fácil, tentar desnacionalizar sua campanha. Sabe que precisa dos votos de todos que acham que está na hora do PT deixar o comando do Estado para outro grupo político. Esse desejo de mudar é, digamos, apartidário, envolve eleitores de Lula, como de Ciro Gomes (PDT), da reeleição de Bolsonaro e de outros presidenciáveis.

A pesquisa, do ponto de vista político, serviu para mostrar que o próximo governador da Bahia ou é ACM Neto ou Jaques Wagner. A possibilidade de aparecer outro nome com alguma chance é zero.

Com o resultado da consulta, com ACM Neto na frente, o senador Jaques Wagner terá que ter muito jogo de cintura para estancar um possível começo de uma aproximação de partidos da base aliada com a oposição. Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que são as pesquisas de intenções de voto que atraem os apoios.

Esse é o cenário do momento. Amanhã, no sentido mais amplo, mais longínquo, é um outro dia. Jaques Wagner pode assumir a primeira colocação ou ACM Neto aumentar a diferença. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: 2 minutos

Até que ponto chegamos: um presidente da República sendo aconselhado a ficar calado diante da maior crise sanitária e humana da história política brasileira, cuja previsão é de mais de 600 mil mortes em 2021.

Que situação, hein! Que azar do nosso povo. Em plena pandemia, com a Covid-19 cada vez mais mortal, o presidente de todos os brasileiros, a maior autoridade do Poder Executivo, sendo pressionado a ficar mudo pelos próprios aliados e correligionários mais próximos.

Para uma boa parte do bolsonarismo, sem dúvida a mais lúcida, o chefe do Palácio do Planalto, com seus discursos negacionistas, principalmente contra o uso da máscara e o distanciamento social, só para ficar em dois exemplos mais simbólicos, começa a ficar isolado, não só em relação ao eleitorado como entre os militares.

No campo da política partidária, o Centrão já deu uma espécie de ultimato ao presidente Bolsonaro, avisando que não tem mais como suportar uma nova queda do ministro da Saúde, obviamente se referindo ao recém nomeado Marcelo Queiroga.

Ora, ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que quando o Centrão faz esse tipo de advertência, está dando um aviso de que pode apoiar o impeachment se as coisas piorarem em decorrência do cruel e devastador novo coronavírus, agora com suas variantes.

Como não bastasse a ameaça do Centrão, que tende a ficar mais intensa à medida que o toma lá, dá cá, não é atendido, como aconteceu na substituição de Pazuello, o bolsonarismo assisti a um preocupante baque na popularidade do presidente nas redes sociais. No Twitter, quando o assunto é a desastrosa atuação do governo no enfrentamento da pandemia, as menções negativas chegam a quase 75%.

Enquanto o presidente Bolsonaro é aconselhado a seguir o ditado popular de que “boca fechada não entra mosquito”, o vice Hamilton Mourão, depois de um bom tempo evitando atrito com o titular da presidência da República, resolveu quebrar o silêncio com duas declarações incisivas : 1) “O governo falhou ao não fazer campanha pelo uso das máscaras e contra aglomerações”. 2) “Bolsonaro é responsável por tudo que acontece na Saúde”.

Olhe, caro e atento leitor, confesso que procuro outro comentário para dizer que ainda há alguma esperança no governo Bolsonaro, que o presidente pode fazer uma reflexão, admitir os erros e tomar as imprescindíveis providências para evitar que mais seres humanos percam a vida.

Mas também confesso que está ficando difícil encontrar essa mensagem de que as coisas vão melhorar. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: < 1 minuto

No seu primeiro pronunciamento após se tornar elegível, o ex-presidente Lula fez duras críticas ao comportamento das igrejas na pandemia do novo coronavírus. Só faltou dizer que esses templos religiosos são também responsáveis por muitos óbitos.

O petista-mor disse que “muitas mortes poderiam ter sido evitadas, que o papel da igreja é ajudar para orientar as pessoas, não é vender grão de feijão”.

Nas entrelinhas, o líder do lulopetismo acusa os senhores líderes religiosos de ganhar dinheiro aproveitando da gravíssima crise sanitária e humana, que, pelo andar da carruagem, pode alcançar, ainda no primeiro semestre de 2021, a triste marca de 500 vidas ceifadas pela covid 19.

Algumas lideranças do lulopetismo da Bahia acharam que Lula exagerou na dose. Lembraram que o discurso vai criar mais obstáculos na tentativa de reconquistar a confiança do segmento religioso, principalmente em relação aos evangélicos, que começam a se afastar do bolsonarismo. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

ACM Neto (DEM) vs Jaques Wagner (PT)

Leia em: 3 minutos

A elegibilidade do ex-presidente Lula, em decorrência da atuação desastrosa do ex-juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato, jogando na lata do lixo a imprescindível imparcialidade que deve ter o julgador, mudou o cenário da sucessão do governador Rui Costa (PT). Aí uma afirmação que não tem opinião contrária, que não pode ser contestada. Ninguém, pelo menos em sã consciência, vai de encontro ao óbvio ululante.

O senador Jaques Wagner, cuja pré-candidatura ao Palácio de Ondina estava sendo questionada na própria base aliada, agora vive a certeza de que sua postulação a governar a Bahia pela terceira vez é intocável. O protagonismo das articulações passa a ser de Wagner. O governador Rui Costa, em que pese ser a maior autoridade do Poder Executivo estadual, fica como coadjuvante.

Vale lembrar que a missão do lulopetismo, como já comentei na coluna de ontem, é convencer Rui Costa a permanecer como governador até o último dia do mandato, desistindo da sua pretensão de buscar uma vaga no Senado. A intenção é facilitar o entendimento em torno da composição da chapa majoritária. Como contrapartida pela desistência, a promessa de assumir um ministério em caso de vitória de Lula.

A rebeldia na base aliada, assentada no forte argumento de que o PT está caminhando para 16 anos no poder, e que agora seria aconselhável apoiar um nome de outra legenda, obviamente da base de sustentação política do governo Rui Costa, começa a dar os primeiros sinais de fraqueza, fica politicamente desnutrida.

Com Lula na disputa presidencial, com as pesquisas de intenções de voto mostrando que sua votação no eleitorado baiano pode chegar perto dos 60%, o discurso da renovação vai para o congelador. O senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, já sabe que sua pretensão de sair candidato ao governo do Estado foi defenestrada com a irreversível candidatura de Lula na sucessão de Bolsonaro.

Toda essa euforia, esse alvoroço com a reviravolta, que surpreendeu o lulopetismo, que já não tinha nenhuma esperança que Lula ficasse elegível para o pleito de 2022, é a prova inconteste de que a então pré-candidatura de Fernando Haddad não era levada a sério. Até os próprios companheiros, em conversas reservadas, diziam que o “poste” de Lula estava tendo dificuldades em consolidar seu nome como presidenciável.

E ACM Neto? O democrata, presidente nacional do DEM, ex-prefeito de Salvador, com uma invejável aprovação, com mais de 70% dos soteropolitanos satisfeitos com suas duas gestões no comando do Palácio Thomé de Souza, vive o dilema do isolamento político.

O ex-alcaide pensou que sua condição de comandante do DEM nacional iria contribuir para o fortalecimento de sua pré-candidatura ao governo da Bahia. O tiro terminou saindo pela culatra. Neto só arrumou problemas. Entre eles a perda do apoio do MDB em decorrência de sua posição na eleição da Câmara dos Deputados. Os irmãos Vieira Lima, Geddel e Lúcio, que ainda exercem forte influência no emedebismo baiano, estão a um passo de apoiar Jaques Wagner. Lúcio até comemorou a declaração do deputado Rosemberg Pinto, líder do governo Rui Costa na Assembleia Legislativa, de que a legenda é bem vinda. “Não somos mais leprosos”, disse o irreverente e polêmico Lúcio Vieira Lima.

Como não bastasse o “Lula Livre”, ACM Neto, além de se afastar do bolsonsarismo, não deu continuidade nas conversas com o PDT em relação a Ciro Gomes, pré-candidato da sigla na sucessão do Palácio do Planalto. Neto não tem palanque nacional. Sua tábua de salvação passa a ser a filiação de Luciano Huck ao DEM e, como consequência, o nome da legenda na disputa pela presidência da República.

As nuvens da sucessão estadual, antes cinzentas para o senador Jaques Wagner, caminham em direção a ACM Neto. Mas ainda é cedo para o “já ganhou” que começa a tomar conta do staff petista.

“Política é como a nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, dizia o já falecido José de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas e figura de destaque do movimento conspiratório que culminou com o golpe militar de 1964. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Até quando o silêncio diante dos aumentos dos preços dos combustíveis?

Leia em: < 1 minuto

Se houver o sétimo aumento e nada acontecer, das duas uma: ou o presidente Bolsonaro está passando mel na boca dos caminhoneiros ou esses bravos trabalhadores estão acreditando no “conto da carochinha”. E aí eu incluo os motoristas de táxi, aplicativos, enfim, todos que vivem dessa honrosa atividade.

Até quando o silêncio diante dos aumentos dos preços dos combustíveis?

Com efeito, o ex-ministro da Fazenda do então governo Itamar Franco, Ciro Gomes, já vem há muito tempo dizendo que essa política de reajuste dos preços dos combustíveis está totalmente errada.

Ciro, que é presidenciável pelo PDT, aponta as soluções para por fim nesses aumentos. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: 3 minutos

Devolveram os direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista-mor sai da condição de inelegível para a de pré-candidato ao Palácio do Planalto no pleito de 2022.

As consequências políticas do “Lula Livre” são muitas. Vou analisar três pontos: eleição presidencial, sucessão estadual da Bahia e o ex-juiz Sérgio Moro.

Começando por Moro, que passou um bom tempo como personagem principal da Operação Lava Jato, é quem vai sair mais ridicularizado de todo esse pega-pega. Até Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, tido como o “az de ouro” do Centrão, cheio de processos na Justiça, resolveu tirar sarro do ex-aliado de Bolsonaro: “Lula pode até merecer. Moro, jamais!”, disse Lira ao ser questionado sobre a decisão monocrática do ministro Edson Fachin (STF).

E para piorar mais ainda a situação do ex-juiz, as provas e os argumentos da sua parcialidade nos julgamentos no âmbito da Lava Jato, que agiu com interesse político, vão aparecer de maneira mais consistentes e inquestionáveis. Vale lembrar que Moro, além de um ex-juiz, é também um ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro. O que se comenta é que o cargo foi uma espécie de contrapartida pela sua atuação na Lava Jato. Não podemos esquecer que o desenrolar da operação e o antipetismo foram os maiores “cabos eleitorais” do então candidato Bolsonaro.

E a sucessão do governador Rui Costa? Lula candidato significa que a candidatura do senador Jaques Wagner ao governo da Bahia fica irreversível 100%. A do ex-alcaide soteropolitano, ACM Neto, presidente nacional do DEM, sofre um abalo considerável. A missão do lulopetismo passa a ser convencer o chefe do Palácio de Ondina a não disputar o Senado, o que significa uma formação da chapa majoritária sem causar nenhum aborrecimento na base aliada, mais especificamente e, principalmente, com o PSD do também senador Otto Alencar, que sairia candidato à reeleição, e o PP do vice-governador João Leão, que indicaria o vice de Wagner. Nessa arrumação, que tornaria Wagner ainda mais forte, Rui Costa ficaria no governo até o último dia do mandato. Seria prometido a Rui um ministério em uma eventual vitória de Lula.

E a sucessão presidencial? Se a eleição caminhar para uma polarização com Bolsonaro e Lula, não tenho a menor dúvida que vai ser o processo sucessório mais enlameado da história da República, de uma baixaria e troca de ofensas jamais presenciadas em uma campanha, não só entre os candidatos, como envolvendo os filhos, obviamente de Lula e Bolsonaro.

O Brasil não merece o extremismo de esquerda e, muito menos, o de direita. Uma eleição com os bolsominions dizendo que Lula é “ladrão” e os lulominions chamando Bolsonaro de “genocida”.

Sobre essa polarização, que a grande maioria dos analistas políticos acha favas contadas, eu penso diferente. O gigantesco e enraizado antipetismo e o cada vez mais crescente antibolsonarismo vão procurar uma opção para se livrar do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, como diz a sabedoria popular.

Não há como pensar no futuro voltando ao passado e nem reelegendo um presidente que não enxerga o amanhã. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: 2 minutos

O irreverente e polêmico comentarista político, hoje em um lugar chamado de eternidade, como ele gostava de dizer quando uma pessoa se despedia do planeta Terra, foi um jornalista que marcou a imprensa de Itabuna.

O inesquecível Duda tinha um jeito de analisar os fatos políticos com uma invejável sabedoria. Sua conceituada coluna “Política, Gente, Poder”, no então Diário do Sul, que depois passou a ser Diário Bahia, era leitura obrigatória, principalmente para quem gostava do mundo político.

Tive a honra de receber todo o acervo jornalístico de Duda, meu primo querido. São muitas fotos, artigos que nunca foram publicados e duas atas interessantes: a do Centro Popular de Formação Política de Itabuna e da criação da “Turma da Jaca”. Em outra oportunidade falo desses dois movimentos idealizados por Duda.

Segue abaixo comentários de Eduardo Anunciação enviado para o então site “Política, Gente, Poder”, que criamos. Com efeito, Duda dizia, em tom de brincadeira, mas com uma certa revolta e espantado, que estava se transformando em um “jornalista cibernético”.

“O voto tem inconfidências, sentimentos, mistérios, encantos, mágicas. O voto, enfim, é um armazém de múltiplos sentimentos humanos. Fundamentalmente, o voto não é um ato de justiça. Há quem exaustivamente defenda que o voto é preferência. O intelectual, jornalista, civilista, escritor, sábio Rui Barbosa, perdeu precisamente em 1910 uma eleição para presidente da República para o obscuro marechal Hermes da Fonseca”.

“Na verdade, nenhum homem público, nenhum político simboliza a esperança de uma comunidade, de todos os homens, de uma nação. O comentário tem validade até para aqueles que foram considerados estadistas, como Jesus Cristo, Roosevelt, De Gaulle, Lincoln, Gandhi, entre outros”.

“Fico espantado quando desinformados reacionários, segmentos elitistas defendem o diploma para os políticos, como se a democracia fosse regime exclusivo para doutores. Do político queremos sensibilidade humana, combate as desigualdades, equilíbrio emocional, governar para a maioria sem ter preconceito com as minorias. Do político queremos honestidade, liderança, bom senso. Que validade tem o título de doutor, o diploma, se o político é desonesto, é autoritário, inimigo da democracia?”.

Esse é o Duda, o nosso saudoso e inesquecível Eduardo Anunciação.

PS- Não tenho registro das datas dos comentários, que foram publicados no site “Política, Gente, Poder”. 

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

//

Leia em: 2 minutos

A palavra da moda agora para enfrentar o cruel novo coronavírus é “milagre”. Ela não tem ideologia. Falo das “gotas milagrosas” e do “spray milagroso”.

Os milagres não têm nenhuma comprovação científica no tratamento da covid-19, que pelo andar da carruagem, pelo menos aqui no Brasil, em decorrência da irresponsabilidade do governo federal e da falta de entendimento com governadores e prefeitos, principalmente em relação à preocupante falta de vacinas, tende a ficar incontrolável, o que significa mais e mais óbitos.

Pelo campo da esquerda radical, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, uma espécie de símbolo do esquerdismo mundial, tem o “milagre” do Carvativir, remédio que diz ter 100% de eficácia. Que agora está sendo chamado de “spray milagroso”.

Do outro lado, representando a direita intransigente, o presidente Bolsonaro apostando no EXO-CD24, o “spray milagroso” fabricado em Israel.

No meio da disputa entre esquerda versus direita, o cidadão-eleitor-contribuinte, cada vez mais descrente e vivendo à agonia do dia a dia.

Até quando essa idiota e imbecil briguinha ideológica vai continuar, enquanto milhares de seres humanos vão dando adeus ao Planeta Terra?

Até quando os senhores “homens públicos”, deixando de fora os responsáveis, os que honram seu mandato, vão ficar pensando na próxima eleição em detrimento do sofrimento das pessoas?

A ignorância não tem representante oficial e, muito menos, preferência ideológica. Ela pode vim da esquerda, do centro ou da direita.

___________
Marco Wense é Analista Político

*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br

Notícias mais lidas

Outros assuntos