Leia em: 3 minutos
Matéria de ontem, 13, do conceituado e sempre bem informado blog Pimenta, comenta sobre a reforma administrativa que está em curso no governo Augusto Castro (PSD).
Reforma é sinônimo de insatisfação, de que alguma coisa não anda a contento, que é preciso mudar. No mundo da política tem duas vertentes: administrativa e política.
Quando se elege em uma coligação de partidos, como foi o caso do prefeito de Itabuna, se tem um compromisso pós-eleição, que é a nomeação, mais especificamente para o primeiro escalão, dos indicados pelas legendas que apoiaram o então candidato.
A contrapartida pelo apoio é a participação no governo do prefeito eleito, que termina aceitando quem não é do seu agrado, evitando assim um atrito logo no começo da gestão.
Segundo o Pimenta, “salvo algum grande deslize, as mudanças não ocorrerão de imediato. Virão com uma reforma administrativa a ser apreciada pela Câmara de Vereadores até o início de janeiro. Na reforma, pelo menos três dos atuais secretários devem cair”.
O que chamou mais atenção, foi a informação de que “para as mudanças, o prefeito levará em conta, além do desempenho dos secretários em suas respectivas pastas, o comprometimento de cada um com o projeto político do governo”.
O blog diz também que o prefeito Augusto Castro quer eliminar os que “ciscam para fora ou fazem corpo mole”, obviamente se referindo ao campo da política, principalmente em relação às pré-candidaturas da primeira-dama Andrea Castro e Paulo Magalhães, respectivamente para os Parlamentos estadual e federal.
E quem seriam os “ciscadores” ? É a pergunta que já começa a tomar conta das conversas políticas. Correligionários mais próximos do alcaide são da opinião de que é melhor agir logo, que não é aconselhável ter gente no governo ocupando funções importantes sem ter compromisso com o projeto político do alcaide.
Toda vez que essa discussão vem à tona, sobre o projeto político do governo AC, o nome do vice-prefeito Enderson Guinho, secretário de Esportes e presidente municipal do DEM, é o primeiro a ser citado como o que mais “cisca para fora”.
Quando sou questionado sobre os “ciscadores”, digo que nada vai acontecer, que não interessa a nenhuma das partes desavenças políticas neste momento. Mas não deixo de alertar que o rompimento do prefeito com o vice é inevitável.
O relacionamento político do chefe do Executivo com seu substituto imediato vai ficar insustentável. A exoneração de Enderson Guinho da secretaria de Esportes é só uma questão de tempo. E ela pode até acontecer por pressão da base aliada do governador Rui Costa com o aval do senador Otto Alencar, comandante-mor estadual do PSD.
O caro, atento e curioso leitor pergunta: Quando é que o pega-pega do prefeito com o vice vai se agravar, se tornando irreversível? A resposta, sem pestanejar, e de uma obviedade ululante, é que vai ocorrer quando o vice começar a pedir votos para prefeito de Itabuna na sucessão de Augusto Castro, cuja missão é quebrar o tabu da reeleição, já que nenhum gestor conseguiu o segundo mandato consecutivo.
É evidente que faço aqui um exercício do futuro assentado não só na minha intuição política como nos fatos que já acontecem. Mas tudo dentro de uma certa lógica e sem nenhuma invencionice.
Especular com responsabilidade faz parte do jornalismo político. Do contrário, teria que esperar acontecer o fato para depois comentar. 

Marco Wense é Analista Político
*A análise do colunista não reflete, necessariamente, a opinião de Pauta.blog.br