POR MATHEUS VITAL | A pré-campanha ao governo da Bahia tem revelado sinais cada vez mais claros de tensão dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues. A leitura é a de que, quando os fatos são observados em sequência, o entorno petista começa a reagir de forma defensiva diante da guinada de ACM Neto no interior do estado.
A tentativa do Avante, aliado do governo e conduzido na Bahia sob a influência de Rui Costa, de barrar judicialmente a divulgação de uma pesquisa do instituto Séculus é um desses sinais. Na política, quando se tenta impedir a circulação de um levantamento, a interpretação imediata costuma ser a de que os números incomodam. Uma pesquisa anterior, do instituto TML, circulou sem contestação judicial. Surge, então, uma narrativa de seletividade: levantamento favorável circula; pesquisa adversa vira caso jurídico.
EPISÓDIO DE IPIAÚ
Durante uma agenda de ACM Neto em Ipiaú, emissários ligados ao governo questionaram a legitimidade do ex-prefeito para tratar da pauta do cacau. A reação pública veio na forma de ataque direto: o deputado estadual Galo (PT) acusou o adversário de desconhecer a vida rural e de apostar apenas na crítica ao governo.
O problema político para o Palácio de Ondina é que a agenda de Neto em Ipiaú reuniu representantes de mais de 40 municípios. Esse tipo de demonstração costuma ter peso simbólico maior do que o próprio evento. Prefeitos, vereadores, deputados, ex-prefeitos, ex-vereadores e lideranças funcionam como um termômetro antecipado da disputa. Resumindo: o clima era de adesão.
A reação veio rapidamente. A prefeita Laryssa Dias (PP) organizou um evento paralelo — e no mesmo dia — sobre o cacau. Esse tipo de sobreposição de agendas indica que o governo passou a monitorar com mais atenção os movimentos do adversário.
De um lado, Jerônimo Rodrigues busca viajar para tentar consolidar a imagem de governador presente. O próprio Rodrigues afirma já ter percorrido 377 das 417 cidades baianas.
Quando governos passam a reagir de forma tão direta às agendas da oposição, geralmente é porque perceberam que a disputa começou. Na Bahia, os sinais mais claros costumam aparecer primeiro no interior. ![]()
Matheus Vital é editor de política do Pauta Blog.












