| Por Matheus Vital
Os fatos falam mais alto que o discurso e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), parece viver esse momento. A crise que ronda o Palácio de Ondina não é apenas de popularidade; é de autoridade, de coordenação e, sobretudo, de capacidade de gestão.
Desde que o PT chegou ao poder na Bahia com Jaques Wagner, em 2006, o roteiro foi de vitórias consolidadas no 1º turno. Wagner repetiu o feito em 2010. Depois veio Rui Costa, que também venceu em 2014 e 2018 sem precisar de 2º turno.
Jerônimo, no entanto, rompeu essa sequência. Venceu ACM Neto (UB) apenas no 2º turno e por uma margem de 473 mil votos — a menor diferença desde o início do ciclo do PT, o que gerou um sinal de advertência.
SEM TRAÇÃO
O problema central é administrativo. Educação, segurança pública, saúde, infraestrutura e crise hídrica compõem um cardápio de dificuldades que desafiam qualquer gestor. Além disso, a ausência de uma agenda estruturante que simbolize eficiência impede que a gestão decole.
A principal vitrine de Jerônimo tem sido viajar: 370 municípios visitados, dos 417 existentes. Visitar é governar?
O contraste entre discurso e execução ganha peso quando se observam números do TCU: 926 das 1.770 obras com recursos federais já recebidos estão paralisadas na Bahia. Obra parada é promessa interrompida que corrói a confiança.
ALERTA DE DENTRO
O constrangimento veio de Lula (PT) ao afirmar que Jerônimo precisa ter “timing” para prometer e cumprir. O alerta é claro: Prometeu? Cumpra e entregue!
Mais contundente foi Wagner ao classificar a gestão como “mediana”. Em política, adjetivo é transparência. Lula teria avaliado substituir o nome de Jerônimo na chapa, visando preservar sua própria votação no estado. Wagner atuou para mantê-lo; assim, o episódio expõe fragilidade.
FÔLEGO OU FADIGA?
A Bahia é peça-chave para Lula. Historicamente, o estado garante margem robusta ao petismo. A questão agora é: Jerônimo terá tempo para reorganizar a base, acelerar entregas e construir uma virada? Sabe-se que o relógio político corre mais rápido que o administrativo.
Jerônimo terá fôlego e pulso? Caso contrário, poderá ser o mentor do fim dos 20 anos do PT em 2026.










