Um vereador de uma grande cidade do interior resolveu trocar de camisa nos últimos suspiros da janela partidária. Mas não parou por aí. Embalado pela nova sigla, passou a cantar alto demais, como se tivesse descoberto a pólvora — ou, pior, como se desconhecesse quem acende o pavio na capital.
Ao posar de estrategista iluminado, o edil tenta ensinar liturgia a quem, em Salvador, dita o rito. Até pode soar como ousadia no interior. Na capital, soa como arrogância. O excesso de confiança costuma ser cobrado com juros — e, às vezes, com isolamento.
Resta saber se o vereador vai sustentar o gogó quando o coro engrossar ou se vai experimentar o gosto amargo de um revés precoce. Porque, na Bahia, quem canta de galo sem ter terreiro firme corre sério risco de cair do cavalo antes mesmo de ver o sol nascer. ![]()












